Ohayou minna-san! Aqui é a Any, do {Forever Sapo}. Este é um blog onde direi, sem compromissos, qualquer coisas que me venha à cabeça, através de posts desconectados entre si. É só uma forma de matar saudades da blogosfera.

10 maio 2017

Recomendação de links e apresentações minhas


Este é aquele momento em que eu devia estar a trabalhar em coisas da faculdade, mas não tenho disposição. Estou a meio da minha semana de "férias", uma vez que esta é a semana de um evento para estudantes da faculdade chamado Queima das fitas - eu e muita gente não fomos a esse evento porque sinceramente ele só interessa a quem gosta da praxe e de ficar bêbado. Então eu aproveito para fazer um post relativamente mais simples, em que me limito a divulgar apresentações educativas sobre temas feministas que fiz, assim como uns links interessantes, tudo devidamente comentado.

Apresentações minhas
Eu tinha-me oferecido para apresentar uma palestra sobre isso na escola da minha irmã (minha antiga escola), mas a escola não se organiza devidamente e portanto eu decidi não apresentar porque não quero estar a perder o meu tempo a ensaiar uma apresentação que pode ser adiada ou cancelada. Passei os últimos 3 dias a trabalhar nisto e deu-me muito gosto, fora que é um guia bem handy para se ter à mão sobre praticamente todos os assuntos que interessam no universo feminista. Recomendo até para feministas amadores >.<

Escala Esferientações | download em português [www] | download em inglês [www]
Como eu disse, tanto em português como em inglês, nos respetivos "www", esta foi uma escala que eu criei por estar revoltada com todas as escalas existentes até agora. Inclusivamente a kinsey scale, a mais famosa, é uma bosta porque não têm em conta a atração por géneros não-binários nem considera a assexualidade (ou arromanticidade, dependendo se a atração em causa é romântica ou sexual) como um espectro. Oras, eu sempre quis que houvesse uma escala que não só considerasse tudo isso, como considerasse ainda as várias relações de oposição entre as orientações, mas por muito que eu pensasse, era quase impossível refletir isso num modelo plano - o mais próximo que cheguei de o fazer foi com [este] aqui. Foi assim que eu concluí... que a escala teria de ser esférica. Os links não só mostram a escala, como apresentam uma definição breve de todas as orientações colocadas e ainda quais as similaridades e diferenças entre as mesmas. A sério sapinhos, estou mesmo orgulhosa :3

Guia introdutório completo sobre lgbt+ | download
O meu bebé :3 Demorou também uns 2 ou 3 dias a ser feito, gostei bastante do visual e acho que está mesmo bem organizado. Começo por apresentar explicações sobre identidade de género, porque não dá para falar das orientações em si se as pessoas não souberem o que são géneros não-binários. Nessa secção, desconstruo também alguns estereótipos sobre pessoas trans e pessoas não-binárias. Depois, diferencio os vários tipos de atração e, ao falar de orientações, essencialmente copio o que coloquei na apresentação da escala esferientações, e desconstruo estereótipos sobre as orientações mais importantes. São 21 slides, o que pode parecer muito, mas nem é considerando a quantidade de informação que consegui compactar. Se precisarem alguma vez de rever rapidamente tudo o que importa saber sobre lgbt+, ou ensinar alguém sobre o assunto, modéstia à parte mas recomendaria este meu trabalhinho ;)

{notinha: o design de todos esses slides foi realizado no site [canva]. É a coisa mais maravilhosa que já vi e não sei porquê que até agora só tinha visto pessoas a falar ora do power point, ora do prezi, pois o canva é DE LONGE melhor que ambos. Esteticamente perfeito, ferramentas maravilhosas, fácil de usar, permite exportar trabalhos em formato de imagem ou pdf e, para além de slides, permite criar pósters, imagens para post do facebook, avatares, páginas para blogue... }

Links interessantes
Um mundo onde 98% da população é autista | www
Ai, esse link. Escrito por uma pessoa autista, foi um dos posts que me fez interiorizar melhor aquilo que eu já tinha começado a aprender sobre autismo, pois ao contrário de dizer como autistas se comportam, mostra. Porque é uma fanfic oneshot. Retrata um capítulo onde uma mãe descobre que tem um filho alista (ou seja, não-autista), numa dimensão semelhante à nossa mas onde a maioria é autista, logo a sociedade não está tão adaptada a alistas e a mãe, ao receber a notícia, fica bem reflexiva e só quer o melhor para o filho. É bastante interessante ver as coisas da perspetiva dela, mas mais ainda eu adoro ver como a sociedade está estruturada. Pareceu-me algo mesmo, mesmo muito plausível.

Why I reffuse to say that my Mental Illness "doesn't define me" | www
Eu sinceramente senti um carinho especial por esse post, e diria que entendo a perspetiva de quem o escreveu, embora o artigo se refira à mental illness da pessoa e eu me refira a questões lgbt+. Normalmente, quando alguém nos diz que determinada característica que nos torna parte de uma minoria "não nos define", as intenções são boas e, portanto, não é como se esse comentário ofendesse. Contudo, e por muito que possa ser verdade para várias pessoas das minorias em questão, está longe de ser verdade para mim. Eu mal vejo televisão pela ignorância com que pessoas como eu são mencionadas. Eu passei alguns anos a perguntar-se se haveria alguém lgbt+ à minha volta, e às vezes ainda o faço quando estou entre pessoas. Eu não consigo ir à casa de banho sem me lembrar da segregação dos espaços e da merda que isso é para pessoas trans. Eu não me consigo esquecer, de cada vez que acho alguma rapariga bonitinha, de que ela provavelmente é hétero e que mesmo que eu arranjasse uma namorada, não a poderia apresentar como tal a toda a gente a quem eu quisesse contar. Eu vou dormir a pensar nisso. Eu vejo a forma redutora como algumas pessoas tentam ser respeitosas e preparo imediatamente uma resposta na minha cabeça. Eu estou, sem exagero quase o tempo todo, beeeeeem ciente de que sou lgbt+, e se essa não é uma das coisas que me define, tudo o resto define ainda menos, pois não ha nada em que eu pense tanto como nisso. Mais: eu gosto de o ser, é algo que me faz feliz e de que adoraria poder falar abertamente no dia-a-dia sem parecer que "estou a falar demasiado sobre coisas gays", eu queria ser visível e queria deixar claro que não seria quem sou se não fosse bi, pois sem o ser, nunca me teria dado ao trabalho de aprender tanta coisa nova. O post segue a mesma linha. Quem o escreveu detesta a ideia de que não é definida pela sua doença mental, pois isso afeta cada pequeno pensamento e ação dos seus dias, e deixar visível quem é traz uma sensação de plenitude e empoderamento. Além disso, é um bocado triste que partes das nossas identidades sejam tratadas como algo irrelevante.

Cultural appropriation of beauty | www
Esse artigo até nem é muito comprido considerando o ótimo ponto que menciona. Recomendo porque, não só problematiza rapidamente o que causa apropriação cultural (dentro do contexto da beleza), como explica de que forma esse problema seria minimizado revertendo a situação para apreciação cultural - algo positivo e que se prende com a troca de culturas. Apropriação, neste tema específico,  consiste em importar aspetos estéticos de outras culturas para a nossa e tornar os elementos numa moda, mas 1) continuando a classificar negativamente o seu uso pelas culturas de onde eles se originaram, 2) despojando o significado e propósito original do elemento importado e desconhecendo as suas origens culturais, 3) havendo uma relação de poder, onde a cultura que comete a apropriação é maioritária, não precisa de autorização e pode tratar os elementos como quiser. Apreciação cultural é diferente pela sua fidelidade ao significado original, e por haver um esforço contínuo na direção de aprender mais sobre a cultura do elemento, sobre as origens do mesmo e respeitar isso. Também tende a ser feita na presença de pessoas da cultura minoritária, contactando com as mesmas ou mesmo passando algum tempo na sociedade onde o elemento se originou para aprender e estudar o estilo de vida e perspetiva da minoria. É totalmente diferente. 

Monstrinhos das doenças mentais | www
Não tenho explicações para isso. Basicamente uma pessoa fez um livro onde explica algumas doenças mentais criando criaturinhas associadas às mesmas, e o design é ADORÁVEL <3 <3 <3 Se não clicaram nos links acima, nesse têm de clicar!

Pronto minna, acho que vos vou deixar por aqui. Foi só um post para dar sinais de vida ;)

Sem comentários:

Enviar um comentário

Design por @Anilyan Leounear.
Conteúdo e edição originais.
É favor não plagiar ^^